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Não
queremos agora explodir em novas teses, ou
fundamentos, ou regras, ou tratados que modifiquem a
Literatura. Queremos a Literatura. Nosso intuito não
é revolucioná-la, e sim, resgatá-la, assimilá-la
para posteriormente transformá-la. Os nossos
conceitos estão sendo ainda constituídos aos poucos,
por nós, por nossos mestres e por nossos amigos. Não
conhecemos nada, ou muito pouco sobre o que é
realmente o poetar, sobre o que é a poesia (marginal
ou não) e/ou quem é verdadeiramente o poeta. Tudo o
que sabemos por enquanto é que não podemos continuar
seguindo essa linha do pensamento contemporâneo de
aceitação ante às informações a nós oferecidas
(descarregadas) pela mídia. Não que a queiramos
eliminar do nosso dia a dia (isso seria uma vã prepotência),
mas integrá-la de maneira reformuladora. Achamos, no
final disso tudo, que é imprescindível não ficar
inertes como muitas gerações que
nos foram antecessoras, favorecendo assim a
diminuição do sentimento literário. Ora, se
tivermos um único êxito, a poesia já estará
deveras valorizada, seja um exemplar vendido à prestação,
um poema estampado num monitor monocromático ou meia
poesia ganhando o ar duma praça, de um pátio, do bar
em frente à Faculdade ou dentro de suas salas. Nossa
meta é tão amorfa quanto são multiformes as
entradas para nossa maior busca: aprisionar-se num
pedaço do eternamente para, inversos ao fluxo natural
do tempo, captá-lo em todos os seus estilos e épocas,
mantendo-nos modernos, futuros, voláteis, como é a
comunicação presente. Deixaremos de presente para o
mundo livros e poemas que guardam pequenos e infinitos
momentos, pois se livros guardam momentos, o tempo
guarda os livros em seu compasso. Poderemos um dia ser
o pó das bibliotecas ou uma fotografia branca anexa a
uma certidão de inexistência. Não nos importa. O
importante é que fazemos. E fazemos hoje. O hoje nos
favorece. Queremos ter o livreto de cordel como nossa
espada e a Odisséia como nosso escudo. O resgate do
sentimento poético no meio jovem, uma nova forma de
gostar da letra sem fazer distinção nela entre o que
é clássico e o que é moderno, o que é abstrato e o
que é concreto, entre o lúdico e o primordial. |