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Eva Andrade
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DEBAIXO
DO LENÇOL...
Debaixo
do lençol preto
Estava
um horrendo gnomo.
Mirei
os seus olhos
Profundamente
vermelhos
E
grandes a me iluminar.
Com
a boca aberta,
Um
sorriso molhado,
Insolentemente
ele soltou
Dentre
dentes afiados
Uma
língua enorme se desenrolou.
Apavorada
fiquei.
Mas
o ardiloso gnomo
Com
seus pequenos membros me segurou.
E,
num assomo de terror,
Sua
língua retesa e enorme
Dantescamente
veio me roçar
Imobilizada
por ele,
Pequeno,
porém hercúleo,
Contrariada,
não sabia o que julgar.
Foi
então que a sua língua
Docemente
em minha boca
Tocou
devagar.
E,
descendo, ela foi
Percorrendo
minha nudez
Debaixo
da negrura do lençol.
Era
uma língua viscosa,
Mas
de tão prazeroso
Deixou-me
arder como o astro-sol.
Em
chamas fiquei
E
por um instante esqueci
Que
quem estava ali
Era
o horrendo gnomo.
Só
sentia sua língua
Entre
as minhas pernas
Fazendo
delícias.
Já
não havia espanto.
Num
ato instintivo,
Entre
sons guturais,
Toquei
em sua cabeça
Pressionando-a
em deslize. |
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Foi
quando senti
Que
minhas finas mãos
Tocavam
crostas e pontiagudos chifres.
Retomando
o susto,
Olhei
para baixo
E
não acreditei no que vi:
A
figura demoníaca olhando para mim,
Com
a boca em sangue,
Começou
a sorrir.
Desesperada,
peguei o lençol preto
E,
num ímpeto descomunal,
Joguei-o
no chão.
E
sem hesitar
Cerrei
os olhos
Para
que tudo fosse apenas uma ilusão. |
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Passaram-se
alguns minutos.
Encorajei-me,
abri os olhos.
O quarto estava
glacial,
A janela aberta,
A cortina
esvoaçante,
E vinha me beijar
o vento
Como seu ar
matinal.
Então com os
olhos
Percorri a cama,
O chão, nada vi.
Só o que restava
Era a cena
satânica
Que dos meus
pensamentos
Não queria sair.
Mas surpreendida
fiquei
Quando o lençol
eu peguei
E ele já não era
mais preto.
Era branco,
Branco da cor do
medo
Que senti naquela
manhã...
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