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TEMPO
DE FOME
Manuel,
meu amigo,
Desce
daí,
Pois
as coisas estão feias por aqui
.
O
“bicho” de que falas é real,
E
para quem padece de fome
Não
importa a moral.
Há
bichos em toda parte,
E
de todos os tipos:
Bicho
criança,
Bicho
adulto,
Bicho
recém-nascido
E
até bicho de idade.
Andam
a perambular
Nas
ruas a se amontoar
Em
um só destino.
São
bichos mal vestidos,
Vivem
imundos
No
lado negro do mundo.
Dormem
em qualquer lugar,
Pois
não têm onde morar.
Uns
preferem as pontes;
Outros,
as escadas das igrejas.
Comem
tudo o que vêem pela frente,
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; margin-top: 6; margin-bottom: 6">Os
restos servem-lhes de banquete,
Para
enganar a fome permanente.
Ainda
te conto mais,
Pois
como tudo isso não é nada demais,
Esse
bicho, Manuel,
Ainda
é o homem do milênio*.
*
Homenagem à poesia de Manuel Bandeira, O Bicho.
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