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PRIMA
FLOR
Eu sou a prima flor nascida no Édem,
Odor de vida, sémem.
Comigo, fez-se mais forte a semelhança entre os homens
e Deus,
Sorte da aliança, brilho camafeu.
Sou bem mais velho que o pecado, elmo cobiçado.
Por minha causa, chorou o homem ao homem decair.
Nasci tão perfeito e completo,
Tão predicado e tão objeto,
Que toda minha manifestação
Parte de mim destinada a eu mesmo.
Parte de mim está em todos
E todos, a esmo, não me verão.
Habito-me a tanto tempo
De ar, de vento, pingado, molhado, inundado, enfim.
Nasço e renasço nos corações
Se eles nascem e renascem em mim.
Inicio tudo, absoluto fim.
O ódio me odeia e foi condenado,
Pobre coitado, aandar comigo.
Comogo, mama o recém-nascido
Na mama ainda morna, da mãe
Morta no parto.
Parto do reverso das coisas
E alcanço o verso inverso do oposto.
Posto o concreto, chego à essência,
Canso do opaco devassando a transparência,
Elido tempo revelando espaço.
Aço, fui erguido em Taji Mahal.
Da palavra, fui à carne de Afrodite.
Acredite: carne decoluna colossal.
Desde o princípio dos tempos,
Venho de andar por sobre a Terra.
Erra minh'alma a todo instante.
Rodopiante, pouso nas mãos da humanidade.
Verdade é que vi o Halley tantas vezes,
Ele fui eu, a estrela dos magos.
Por minha causa o sangue do Filho -
Holocausto, martírio - queimou equívocos, estragos.
E de lá até aqui,os tempos modernos,
Eterno sempre, venho fazendo meu estar
Inerente ao Universo.
Estrategicamente,
Me fiz presente nas mãos de Shakespeare
E é por isso que hoje ele não é pó.
Só, estou em todas as criações perfeitas.
Ações eleitas todas me contém.
Também aceito quieto, surdo, calado
O fardo grande, concreto, pesado
Dos hálibes incapazes de me compreender.
E dizem que matam, quebram, torturam,
Maltratam, berram, perfuram
Porque estou inteiro em seus atos.
Ingratos! Fazem de meu nome
Significado da palavra, sentimento dor.
Tormento, supremo desagravo.
Para quem já foi Deus, animal e homem,
Hoje, me chamo Amor.
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