Círculo Literário Organizado Verso In Verso - Obra/Autor - Alameda Lopes - Lembranças

   
 

 

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Alameda Lopes

LEMBRANÇAS

 

Lembra, amigo, de quando ela aqui estava?

De como enchia de sorrisos as paredes dessa casa

E mudava em flores o nosso chão?

Lembra de como seus lábios transformavam as palavras em poesia,

De como sua beleza fazia de seus movimentos uma dança magistral

E de seus suspiros, um arfar d’anjos?

Lembra, amigo, de quando os segundos eram eternos

E a eternidade era o tempo de correr em seu colo?

E lembra que toda alegria era pela sua presença?

Pela sua presença, o sol mais brilhava,

Fazendo em nossos invernos resvalarem os perfumes de sua primavera.

E lembra que todas as flores eram pela sua presença?

Pela sua presença, as flores mais perfumes tinham,

Fazendo em nossas dores ressoarem os ecos de seus sorrisos.

 

É uma pena, amigo!

Mas o marcador do tempo não nos deixa escrita a distância da felicidade!

E hoje, amigo... Ah! Hoje, os nossos corações maquinais,

Sacramentando na sístole da saudade a diástole dos sorrisos saudosos.

Hoje, nossos olhos fixos no horizonte do passado,

Buscando entre o ocaso e o acaso a razão da distância.

Hoje, nossas mãos angustiadas, presas, atadas,

Farejando no escuro a esperança de tê-la por perto outra vez.

Hoje, nossas gargantas gritando em silêncio;

Debalde, sentindo o perfume dos ecos do que se foi.

Hoje, amigo, nós dois no ontem,

Vivendo como álbuns de fotografia.

E nossas pinturas são amareladas.

Amarelados e frouxos são os sorrisos dessas paredes.

Eles bem sabem a distância da felicidade,

Mas não o dizem.

Preferem calar em si o segredo de como tudo era mais feliz

Porque ela estava aqui.